Mountain bikers e todos aqueles que gostam de estar nas trilhas buscando um contato mais intenso com a natureza, já devem ter tido o desprazer de encontrar grupos de motociclistas nas trilhas.
O barulho e a fumaça espantam a fauna, a velocidade e a força do motor transmitida no terreno através dos pneus (especialmente em terrenos molhados) causam erosão, deslizamentos e agridem a mata, a prepotência dos motoqueiros desrespeita os outros usuários das trilhas que estão a pé ou em bicicleta. Os praticantes de motociclismo em trilhas dificilmente têm consciência da agressão que causam ao meio ambiente e às pessoas.
Neste domingo, 2 de dezembro, voltei a Bombinhas de mountain bike junto com meu amigo Leite (super biker reporter!) para fazer parte da trilha das 7 praias, que corre naquele litoral até a cidade de Tijucas. Praias virgens de valor paisagístico e de biodiversidade inestimável.
Foto: F. Leite, novembro, 2007
A trilha é percorrida por pescadores locais, turistas, mountain bikers e infelizmente, motoqueiros. Um grupo de aproximadamente 15 ou 20 motos em velocidade muito acima do que o bom senso recomenda em trilhas passou por nós indiferente aos nossos sinais de diminuir a velocidade (apenas tinhamos passados por uma família com crianças). Torcemos para que a família tenha conseguido se abrigar a tempo, como nós fizemos! O sentimento de ter sido agredido foi inevitável e o desrespeito a tudo e a todos foi patente!
Ao sair da trilha encontramos pescadores indignados com a arruaça feita pelos motoqueiros na areia da praia, onde crianças brincavam.
Diferente dos países como Estados Unidos, Austrália e outros desenvolvidos onde o motociclismo em trilhas (bem como o uso esportivo de jeeps) é praticado em áreas fechadas ou em áreas de deserto onde os praticantes podem desenvolver suas habilidades de pilotagem isolados e sem agredir pessoas ou o meio ambiente, aqui na nossa selva tupiniquim, terra de ninguém por excelência (até o momento da grilagem!) e com canais quase inexistentes para prática da cidadania, os motoqueiros se acham no direito de invadir áreas preservação de uso público poluindo a natureza e criando um ambiente perigoso para qualquer um que não esteja sobre uma motocicleta.
Na mesma trilha das 7 praias temos notícias de motoqueiros lavando a moto na bica de água natural que corre no canto da praia Triste, deixando um rastro de graxa, óleo e querozene na areia. Também jipeiros com pás alterando completamente o terreno natural apenas para passar com seu veículo, causando erosões enormes são vistos frequentemente, principalmente no verão.
Até quando podemos suportar essas agressões? Será que a sociedade não consegue se organizar para regulamentar o uso das trilhas? Sabemos que o grupo que trabalha a “Agenda 21” junto a prefeitura do município de Bombinhas tem feito um bom trabalho e tem um boa influência política ali e devem ser sensibilizados do problema. Será que não é o caso de implantarem logo uma Área de Proteção Ambiental (APA) naquele litoral ainda preservado? Será que ONGs ambientalistas e Associações de Ciclistas não podem se unir nessa causa?
