Arquivo para bicicletas

Mão ou Contramão, eis a questão!

Postado em Mobilidade Urbana, Mountain Bike, Sampa com as tags , , , em Janeiro 9, 2008 por sergiomoraes

Ontem, dia 8 de janeiro, saiu na Folha de São Paulo uma reportagem sobre o uso da bicicleta na cidade de São Paulo ( clique aqui para ler o artigo – bikes em SP).

Apesar de varias informações equivocadas e a ausência de crítica da reportagem, serve para nos levar a uma reflexão de como é usada a bike nas urbes brasileiras. É interessante e triste perceber que o uso da bicicleta como transporte ainda está distante de ser levada a sério no Brasil. A “romantização” da bike, a associação do seu uso com a pobreza (usa bike quem não pode ter um carro!) e a ausência de uma legislação específica e infra-estrutura urbana adequada para seu uso desestimulam a população em geral a pensar seriamente em usar o pedal para se locomover.

Chamo a atenção e transcrevo aqui dois depoimentos de ciclistas, que aparecem na reportagem citada:

“Não tem ciclovia, não tem espaço, então, também não tem lei. Os ciclistas não precisam obedecer 100% as leis de trânsito” .

. “Eu prefiro andar na contramão: pelo menos vejo os carros e ônibus vindo. Tem muito motorista que tem sangue nos olhos, adora tirar fina. Já tive que me jogar na caçada para não ser atropelado”.

A primeira faz sentido, mas não se justifica. Se desejamos que a bike seja reconhecida como veículo, então deve-se respeitar as leis de trânsito sim, na minha opinião. Porém concordo que se não há direito, não pode-se exigir deveres.

A segunda opinião não faz nenhum sentido e merece um comentário mais extenso. Andar na mão ou na contramão…dúvida recorrente a grande parte dos ciclistas brasileiros que carecem de informação sobre a legislação e uso da bicicleta.

No perímetro urbano questão é fechada – a bicicleta é um veículo como outro qualquer e deve sempre andar na sua mão de direção. Ciclistas trafegando na contramão correm o risco de serem atingidos por um carro saindo de sua garagem, ou de um que esteja saindo de uma transversal olhando para o lado esquerdo, de onde todos os veículos deveriam estar vindo.

Bem, e nas estradas, como fica esta questão? Para começar essa discussão, é necessário dizer que a legislação de trânsito não permite bicicletas nas rodovias estaduais e federais. A Polícia Rodoviária é ambigua na fiscalização, pois é difícil para esses policiais seguirem a lei a risca, uma vez que precisam tolerar os moradores da região que usam a bicicleta para se deslocarem da residência ao trabalho. Uma vez que toleram os ciclistas locais, a maior parte dos policiais também faz “vista grossa” àqueles que treinam ou estão fazendo cicloturismo. Resumindo, parece que obrigam aos ciclistas a infrigirem a lei.

Nesta situação, em um país onde os critérios para determinação de leis nem sempre são os mais adequados ou racionais e onde a cidadania ainda é uma palavra desconhecida para a maioria da população, o ciclista torna-se o maior responsável por sua segurança.

Sem orientação, o andar na mão ou na contramão nas estradas torna-se a principal dúvida do ciclista. Muitos bikers acham que andando na contramão estão mais seguros por enxergar os veículos que se aproximam. É um dos maiores erros que um ciclista pode cometer, pois estando na mão correta de direção os motoristas o verão melhor e terão mais tempo e atenção para evitar qualquer surpresa.

É ilusão o ciclista acreditar que na contramão a segurança é maior, pois nada serve ver os carros se aproximando se as velocidades são tão diferentes! Ao pedalar na contramão o ciclista torna-se um elemento estranho aos reflexos dos motoristas condicionados pelos códigos convencionais de trânsito, correndo o risco de sofrer e causar acidentes graves.

Desse modo, nós ciclistas brasileiros devemos assumir atitudes responsáveis no momento de se encarar uma estrada, mesmo que por um curto trecho. É sempre bom lembrar que o comportamento de cada ciclista no trânsito é importante para que o uso da bicicleta seja bem visto por todos e para que tenhamos cada vez mais op0ortunidades de conquistar mais espaço.

Portanto, em ruas ou estradas, trafegue sempre na sua mão de direção, ande sempre na direita, use capacete e, se possível, refletivos e faróis. Boas pedaladas!

Bicicletas Infantis são realmente feitas para crianças?

Postado em Mountain Bike com as tags em Dezembro 17, 2007 por sergiomoraes

Entre as centenas de milhares de ciclistas aficcionados, muitos são pais e anseiam ver seus filhos curtindo o “andar de bicicleta” o quanto antes.

Eu tive a felicidade de conseguir uma “roll-on” bike (ou walking bike) alemã (marca Zeg) para o meu filho de 2 anos. Uma bicicleta aro 12”, sem pedais, sem rodinhas auxiliares, muito leve (alumínio) onde a criança aprende a se equilibrar ao dar impulso com os pés (o mesmo princípio usado na invenção da bicicleta) e a levantar a bicicleta quando necessário. O resultado foi fantástico! Em pouco tempo meu filho dominava a bike e percorria grandes trechos com os pés levantados e chegava a ter uma velocidade que as vezes assustava.

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Théo, 2, curtindo uma trilha na sua Zeg Bike.

As “roll-on” bikes estão chegando timidamente no Brasil, mas são comuns no norte da Europa e raras nos Estados Unidos.

No Brasil as bicicletas infantis são focadas mais na atratividade gráfica (Spider Man, etc.) do que na segurança e performance da bike.

Infelizmente, a maior parte das bicicletas infantis (aro 12” e aro 16”) que encontramos no mercado brasileiro são vistas como meros brinquedos, são pesadissimas, possuem componentes de plástico e de baixa qualidade e com ergonomia equivocada que, no meu ver, desistimulam as crianças a pedalar. Ainda que o mercado americano também foque as kids’ bikes no grafismo, a qualidade dos componentes é indiscutivelmente superior.

Agora, estou enfrentando um novo problema. Meu filho completa 3 anos e a Zeg roll-on está ficando pequena para ele. O ideal, como acontece no norte da Europa, é a criança começar usar uma bicicleta aro 14” com pedais e freios de contra-pedal. Porém, as bicicletas aro 14” simplesmente não existem por aqui, nem no mercado brasileiro, nem no mercado americano. Apenas o mercado europeu usa esse tamanho intermediário.

Então, ficamos com uma lacuna enorme, uma vez que uma criança de 3 anos dificilmente consegue pedalar e se equilibrar numa bicicleta aro 16”.

Se quiserem dar uma olhada nas bikes infantis de qualidade produzidas na Inglaterra, dêem uma olhada no site da Isla Bikes e no da Ridgeback Bikes.

http://www.islabikes.co.uk/index.html

http://www.ridgeback.co.uk/index.php?bikeID=8&seriesID=44&show_bike=TRUE

Ainda busco uma solução para meu filho não ficar um ano sem pedalar. Alguma sugestão?