Mão ou Contramão, eis a questão!

Ontem, dia 8 de janeiro, saiu na Folha de São Paulo uma reportagem sobre o uso da bicicleta na cidade de São Paulo ( clique aqui para ler o artigo – bikes em SP).

Apesar de varias informações equivocadas e a ausência de crítica da reportagem, serve para nos levar a uma reflexão de como é usada a bike nas urbes brasileiras. É interessante e triste perceber que o uso da bicicleta como transporte ainda está distante de ser levada a sério no Brasil. A “romantização” da bike, a associação do seu uso com a pobreza (usa bike quem não pode ter um carro!) e a ausência de uma legislação específica e infra-estrutura urbana adequada para seu uso desestimulam a população em geral a pensar seriamente em usar o pedal para se locomover.

Chamo a atenção e transcrevo aqui dois depoimentos de ciclistas, que aparecem na reportagem citada:

“Não tem ciclovia, não tem espaço, então, também não tem lei. Os ciclistas não precisam obedecer 100% as leis de trânsito” .

. “Eu prefiro andar na contramão: pelo menos vejo os carros e ônibus vindo. Tem muito motorista que tem sangue nos olhos, adora tirar fina. Já tive que me jogar na caçada para não ser atropelado”.

A primeira faz sentido, mas não se justifica. Se desejamos que a bike seja reconhecida como veículo, então deve-se respeitar as leis de trânsito sim, na minha opinião. Porém concordo que se não há direito, não pode-se exigir deveres.

A segunda opinião não faz nenhum sentido e merece um comentário mais extenso. Andar na mão ou na contramão…dúvida recorrente a grande parte dos ciclistas brasileiros que carecem de informação sobre a legislação e uso da bicicleta.

No perímetro urbano questão é fechada – a bicicleta é um veículo como outro qualquer e deve sempre andar na sua mão de direção. Ciclistas trafegando na contramão correm o risco de serem atingidos por um carro saindo de sua garagem, ou de um que esteja saindo de uma transversal olhando para o lado esquerdo, de onde todos os veículos deveriam estar vindo.

Bem, e nas estradas, como fica esta questão? Para começar essa discussão, é necessário dizer que a legislação de trânsito não permite bicicletas nas rodovias estaduais e federais. A Polícia Rodoviária é ambigua na fiscalização, pois é difícil para esses policiais seguirem a lei a risca, uma vez que precisam tolerar os moradores da região que usam a bicicleta para se deslocarem da residência ao trabalho. Uma vez que toleram os ciclistas locais, a maior parte dos policiais também faz “vista grossa” àqueles que treinam ou estão fazendo cicloturismo. Resumindo, parece que obrigam aos ciclistas a infrigirem a lei.

Nesta situação, em um país onde os critérios para determinação de leis nem sempre são os mais adequados ou racionais e onde a cidadania ainda é uma palavra desconhecida para a maioria da população, o ciclista torna-se o maior responsável por sua segurança.

Sem orientação, o andar na mão ou na contramão nas estradas torna-se a principal dúvida do ciclista. Muitos bikers acham que andando na contramão estão mais seguros por enxergar os veículos que se aproximam. É um dos maiores erros que um ciclista pode cometer, pois estando na mão correta de direção os motoristas o verão melhor e terão mais tempo e atenção para evitar qualquer surpresa.

É ilusão o ciclista acreditar que na contramão a segurança é maior, pois nada serve ver os carros se aproximando se as velocidades são tão diferentes! Ao pedalar na contramão o ciclista torna-se um elemento estranho aos reflexos dos motoristas condicionados pelos códigos convencionais de trânsito, correndo o risco de sofrer e causar acidentes graves.

Desse modo, nós ciclistas brasileiros devemos assumir atitudes responsáveis no momento de se encarar uma estrada, mesmo que por um curto trecho. É sempre bom lembrar que o comportamento de cada ciclista no trânsito é importante para que o uso da bicicleta seja bem visto por todos e para que tenhamos cada vez mais op0ortunidades de conquistar mais espaço.

Portanto, em ruas ou estradas, trafegue sempre na sua mão de direção, ande sempre na direita, use capacete e, se possível, refletivos e faróis. Boas pedaladas!

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4 Respostas to “Mão ou Contramão, eis a questão!”

  1. Interessante!!! Moro em São Paulo há 15 anos e nunca fui atropelada por carros, mas 2 vezes por bicicletas que trafegavam na contramão. E em uma delas fiquei cheia de hematomas. É importante alertar os ciclistas para mais esse problema em circularem na contra-mão: o perigo para os pedestres, muito pouco considerados no trânsito brasileiro até mesmo pelos ciclistas. Estes sempre esperam que o pedestre os veja e os espere passar ou lhes dê espaço, porém, o pedestre normalmente só está atento a quem trafega na mão correta. E o ciclista nunca pára!

  2. Quanto ao primeiro depoimento, é notório que os ciclistas realmente ficam impunes ao violar várias regras de trânsito. Eu acho que essa é mais uma oportunidade de mostrar que somos diferentes e cumprir a lei sempre que possível.

    Qto ao segundo depoimento vale ainda notar que o impacto na contramão é maior e se for a noite a luz na cara é terrível.

    Além disso tem uma diferença mais sutil entre mão e contramão. O motorista ao encarar o ciclista na contramão vai sempre esperar que ele saia do caminho pois sabe que está sendo visto. É quase como uma disputa para ver quem mantém a linha. A chance de levar fechada é muuuito maior.

    Eu e minha esposa pedalamos há alguns anos e nunca andamos na contramão.

  3. Pourquoi autoriser les cyclistes à contresens ?

    Les SUL existent déjà depuis plus de 10 ans dans de nombreuses villes belges et étrangères. L’expérience montre que la circulation des différents usagers s’y déroule sans encombre et que les accidents impliquant des cyclistes n’y sont pas plus fréquents.
    Les contresens cyclables permettent aux cyclistes d’éviter :
    • des détours (encore plus gênants à vélo qu’en voiture, puisqu’ils imposent un effort physique supplémentaire) ;
    • dans certains cas, des rues ou des routes dangereuses (trafic plus dense, plus rapide).
    En outre, le cycliste à contresens bénéficie des avantages de sécurité suivants :
    • il peut établir un contact visuel avec l’automobiliste et contrôle donc mieux la situation que lorsqu’il roule dans le même sens que celui-ci ;
    • Σle conducteur de la voiture est assis à gauche, c’est-à-dire du côté où s’effectue le croisement. Plus proche du cycliste que lors d’un dépassement, il évaluera plus facilement l’espace nécessaire dans une rue étroite ;
    • en cas d’accident dû à l’ouverture intempestive d’une portière, les conséquences pour le cycliste seront souvent moins graves que lorsqu’il roule dans le sens du trafic (le cycliste ne court aucun risque de se blesser au tranchant de la portière, et celle-ci aura tendance à se refermer sous le choc qui sera donc moins rude).
    Enfin, même dans les cas où l’automobiliste ne peut pas voir arriver le cycliste à contresens, le cycliste pourra le plus souvent entendre arriver le véhicule à moteur avant de le voir, et pourra donc anticiper une manoeuvre d’évitement.

  4. Interessante sua matéria que nos leva a refletir sobre a segurança no trânsito com bicicletas. Entretanto faço uma ressalva sobre um equívoco mencionado na matéria. A legislação permite o tráfego de bicicletas em rodovias. Vide o artigo 58 do CTB.

    Outro ponto importante de ressaltarmos neste artigo é a clara recomendação de trafego de bicicletas pelo acostamento. Via de regra, o tráfego se dará pela mão de direção, ficando a cargo da autoridade de trãnsito o tráfego pela contra mão.

    Fora esta ressalva, este artigo é de imensurável valia para efeito de educação e reflexão dos atos praticados na rotina diária de ciclistas.

    Um abraço e felicidades

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