Hoje, 31/01/2008, na Folha, Cristóvam Buarque colocou um lúcido comentário sobre as relações entre as mazelas brasileiras, voto e educação. Merece ser lido (Cristovam Buarque – País Ameaçado).
Infelizmente, o desenvolvimento da sociedade brasileira estruturou-se, de modo geral, sobre políticas populistas de bases históricas, que trouxe a extrema desigualdade economico-social que encontramos hoje no país.
Cabe observar que apesar das políticas de modernização do país, criou-se mecanismos ao longo do tempo que manteve uma oligarquia no poder. O mais evidente desses mecanismos está relacionado à educação.
Antes da proclamação da República em 1889, o direito ao voto era vinculado à posse de terras. Após da proclamação e até 1988 (na constituição de 1988 o voto torna-se direito constitucional), o voto era vinculado à educação, ou seja, era vetado voto aos anafabetos. Ao mesmo tempo, a aristocracia instalada no poder nada fez para expandir e melhorar a educação básica. Desse modo, a maior parte da população esteve (ea inda está) excluida de uma efetiva participação política.
Como imaginar que a grande parte da população brasileira com ensino fundamental incompleto seja capaz de entender e analisar a complexidade das políticas públicas nacionais. Como exigir de uma população tão pouco instruída que entenda por exemplo que o desrespeito aos pedestres pelos motoristas, ou a ausência de transporte eficiente, ou que a corrupção latente em todas as esferas sociais estão diretamente relacionad
Cristovam Buarque procura não desmerecer a capacidade do povo em “saber votar”, mas toca no ponto certo mostrando que sem investimento na educação básica, o país não tem chance de evoluir.
Vale a pena meditar a respeito.