Arquivo para Janeiro, 2008

Fim da barbarie no trânsito?

Postado em Mobilidade Urbana, Políticas Públicas com as tags , em Janeiro 31, 2008 por sergiomoraes

Felizmente o Ministério da Justiça tomou uma atitude em relação à barbarie que é o trânsito no Brasil. A proposta de endurecer penas e encarecer as multas têm a esperança de reduzir o número de mortes no trânsito, quesito que o país é campeão mundial.

Vamos torcer por resultados.

RESUMO DAS MEDIDAS (mj-divulga-medidas-para-conter-violencia-no-transito.doc)

(SITE MINISTÉRIO DA JUSTIÇA – consulta pública das medidas)

Educação, desigualdade e eleição

Postado em Políticas Públicas com as tags , em Janeiro 31, 2008 por sergiomoraes

Hoje, 31/01/2008, na Folha, Cristóvam Buarque colocou um lúcido comentário sobre as relações entre as mazelas brasileiras, voto e educação. Merece ser lido (Cristovam Buarque – País Ameaçado).

Infelizmente, o desenvolvimento da sociedade brasileira estruturou-se, de modo geral, sobre políticas populistas de bases históricas, que trouxe a extrema desigualdade economico-social que encontramos hoje no país.

Cabe observar que apesar das políticas de modernização do país, criou-se mecanismos ao longo do tempo que manteve uma oligarquia no poder. O mais evidente desses mecanismos está relacionado à educação.

Antes da proclamação da República em 1889, o direito ao voto era vinculado à posse de terras. Após da proclamação e até 1988 (na constituição de 1988 o voto torna-se direito constitucional), o voto era vinculado à educação, ou seja, era vetado voto aos anafabetos. Ao mesmo tempo, a aristocracia instalada no poder nada fez para expandir e melhorar a educação básica. Desse modo, a maior parte da população esteve (ea inda está) excluida de uma efetiva participação política.

Como imaginar que a grande parte da população brasileira com ensino fundamental incompleto seja capaz de entender e analisar a complexidade das políticas públicas nacionais. Como exigir de uma população tão pouco instruída que entenda por exemplo que o desrespeito aos pedestres pelos motoristas, ou a ausência de transporte eficiente, ou que a corrupção latente em todas as esferas sociais estão diretamente relacionad

Cristovam Buarque procura não desmerecer a capacidade do povo em “saber votar”, mas toca no ponto certo mostrando que sem investimento na educação básica, o país não tem chance de evoluir.

Vale a pena meditar a respeito.

 


Mão ou Contramão, eis a questão!

Postado em Mobilidade Urbana, Mountain Bike, Sampa com as tags , , , em Janeiro 9, 2008 por sergiomoraes

Ontem, dia 8 de janeiro, saiu na Folha de São Paulo uma reportagem sobre o uso da bicicleta na cidade de São Paulo ( clique aqui para ler o artigo – bikes em SP).

Apesar de varias informações equivocadas e a ausência de crítica da reportagem, serve para nos levar a uma reflexão de como é usada a bike nas urbes brasileiras. É interessante e triste perceber que o uso da bicicleta como transporte ainda está distante de ser levada a sério no Brasil. A “romantização” da bike, a associação do seu uso com a pobreza (usa bike quem não pode ter um carro!) e a ausência de uma legislação específica e infra-estrutura urbana adequada para seu uso desestimulam a população em geral a pensar seriamente em usar o pedal para se locomover.

Chamo a atenção e transcrevo aqui dois depoimentos de ciclistas, que aparecem na reportagem citada:

“Não tem ciclovia, não tem espaço, então, também não tem lei. Os ciclistas não precisam obedecer 100% as leis de trânsito” .

. “Eu prefiro andar na contramão: pelo menos vejo os carros e ônibus vindo. Tem muito motorista que tem sangue nos olhos, adora tirar fina. Já tive que me jogar na caçada para não ser atropelado”.

A primeira faz sentido, mas não se justifica. Se desejamos que a bike seja reconhecida como veículo, então deve-se respeitar as leis de trânsito sim, na minha opinião. Porém concordo que se não há direito, não pode-se exigir deveres.

A segunda opinião não faz nenhum sentido e merece um comentário mais extenso. Andar na mão ou na contramão…dúvida recorrente a grande parte dos ciclistas brasileiros que carecem de informação sobre a legislação e uso da bicicleta.

No perímetro urbano questão é fechada – a bicicleta é um veículo como outro qualquer e deve sempre andar na sua mão de direção. Ciclistas trafegando na contramão correm o risco de serem atingidos por um carro saindo de sua garagem, ou de um que esteja saindo de uma transversal olhando para o lado esquerdo, de onde todos os veículos deveriam estar vindo.

Bem, e nas estradas, como fica esta questão? Para começar essa discussão, é necessário dizer que a legislação de trânsito não permite bicicletas nas rodovias estaduais e federais. A Polícia Rodoviária é ambigua na fiscalização, pois é difícil para esses policiais seguirem a lei a risca, uma vez que precisam tolerar os moradores da região que usam a bicicleta para se deslocarem da residência ao trabalho. Uma vez que toleram os ciclistas locais, a maior parte dos policiais também faz “vista grossa” àqueles que treinam ou estão fazendo cicloturismo. Resumindo, parece que obrigam aos ciclistas a infrigirem a lei.

Nesta situação, em um país onde os critérios para determinação de leis nem sempre são os mais adequados ou racionais e onde a cidadania ainda é uma palavra desconhecida para a maioria da população, o ciclista torna-se o maior responsável por sua segurança.

Sem orientação, o andar na mão ou na contramão nas estradas torna-se a principal dúvida do ciclista. Muitos bikers acham que andando na contramão estão mais seguros por enxergar os veículos que se aproximam. É um dos maiores erros que um ciclista pode cometer, pois estando na mão correta de direção os motoristas o verão melhor e terão mais tempo e atenção para evitar qualquer surpresa.

É ilusão o ciclista acreditar que na contramão a segurança é maior, pois nada serve ver os carros se aproximando se as velocidades são tão diferentes! Ao pedalar na contramão o ciclista torna-se um elemento estranho aos reflexos dos motoristas condicionados pelos códigos convencionais de trânsito, correndo o risco de sofrer e causar acidentes graves.

Desse modo, nós ciclistas brasileiros devemos assumir atitudes responsáveis no momento de se encarar uma estrada, mesmo que por um curto trecho. É sempre bom lembrar que o comportamento de cada ciclista no trânsito é importante para que o uso da bicicleta seja bem visto por todos e para que tenhamos cada vez mais op0ortunidades de conquistar mais espaço.

Portanto, em ruas ou estradas, trafegue sempre na sua mão de direção, ande sempre na direita, use capacete e, se possível, refletivos e faróis. Boas pedaladas!