Fiquei contente em ter o blog acessado por um ciclo-ativista espanhol que mantém uma dura campanha contra as ciclovias, promovendo a idéia de que o ciclista não deve ser segregado e deve ter o mesmo direito usar as ruas que os automóveis.
Compartilho totalmente com essa idéia, ainda que não seja tão radical. Acredito que ciclovias segregadas do tráfego devem ser exceção e não a regra, como é colocada na maior parte das políticas de mobilidade sustentável no Brasil. Há dez anos atrás já escrevi sobre isso (ver texto “Ciclovias Pra Quê?”) e, no ano passado (2006), orientando um trabalho de pesquisa sobre ciclovias em Balneário Camboriú enfatizei a importância das vias compartilhadas para a melhoria da mobilidade urbana.
Uma ciclovia segregada pode ajudar no deslocamento do ciclista em situações específicas, em áreas de pouca atividade comercial, grandes parques ou ao longo de vias expressas, por exemplo.
Porém, no meio urbano mais denso cria uma falsa sensação de segurança (principalmente aquelas colocadas no canteiro central das avenidas), pois nas suas interseções com as ruas e calçadas encontram armadilhas muitas vezes fatais. No Brasil, onde a responsabilidade dos motoristas é pouca e a educação para o compartilhamento de vias não existe e onde os ciclistas são considerados cidadãos de segunda classe, o perigo é ainda maior.
Especialmente em Balneário Camboriú, as ciclovias são criminosas. Mal projetadas e sem sinalização adequada, promovem incontáveis acidentes (especialmente a ciclovia da marginal da BR 101 que cruza com os acessos da rodovia!).
Até a metade de 2007 insisti com os orgãos responsaveis pelo trânsito da cidade para iniciar a implementação de um sistema cicloviário que inserisse a idéia de compartilhamento de vias, em vão.
Aguardamos ainda uma união e mobilização dos ciclistas em prol do uso universal das ruas, e uma campanha nacional de educação no trânsito para a conscientização dos motoristas brasileiros (será que tem jeito???).
Publicado em Dezembro 9, 2007 de 2:10 pm e arquivado sobre Balneário Camboriú, Mobilidade Urbana com as tags ciclovias. Você pode acompanhar qualquer resposta por meio do RSS 2.0 feed.
Você pode deixar uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
Dezembro 11, 2007 às 1:13 pm
oi, professor!
estive aqui e já li tudo a respeito de bicicletas que você escreveu.
achei um documento muito legal na internet:
http://www.cidades.gov.br/media/cadernosite2007xz.pdf
dá uma lidinha.
abraço.
Janeiro 3, 2008 às 2:33 pm
oi sou um estudante português de Arquitectura Paisagista de Evora, e neste momento ando com alguns trabalhos relacionados com as ciclovias e ecopistas, se é que a distinção existe…
A problematica que aqui foi levantada parece-me mt pertinente, contudo acho que as cliclovias são indespensaveis no ordenamento de uma cidade moderna, uma vez que estas muitas vezes são aglomerados populacionais mt caoticos e que n oferencem o minimo de segurança áqueles que querem fazer da bicicleta o seu meio de transporte de exelência…
Para quem já teve a oportunidade de visitar os paises do Norte da europa,(Holanda. Diamarca…) vai verificar que são paises mt desenvolvidos neste aspecto e que as ciclovias são essenciais para o optimo funcionamento das suas cidades… Cidades que fervilham com o movimento das bicicleta onde existe uma sinaliçação paralela com a dos veiculos motorizados…
Em algumas destas cidades existem mais bicicletas que habitantes, o que faz com que a existencia das ciclovias seja imperativa para o bom funcionamento da cidade. O mais interessante é o registo de acidentes graves com este tipo de transporte que é muito reduzido em comparação com as cidades brasileiras… Isto revela que quando se faz um ciclovia não nos podemos singir á sua construção material, mas tem de haver uma “construção educacional dos cidadãos” paralela. Só assim o objectivo das ciclovias será cumprido.
Cumprimento de Portugal
Janeiro 21, 2008 às 11:19 am
Boas Luis,
As ciclovias para além de não serem indispensáveis, são perfeitamente dispensáveis.
Quanto ao caos que se vive, esse é principalmente por se deixar os automobilistas fazerem tudo o que querem!
O que é necessário para evitar esse caos é:
1 – Cumprir o Código da Estrada e multar quem não o cumpre,
2 – Educar as pessoas na medida em que os ‘actores’ mais poderosos têm que ser responsáveis pela segurança quando se cruzam com os mais fracos: Camiões –> Carros –> Motas –> Bicicletas –> Peões
3 – incentivar as pessoas a deslocarem-se a pé, de bicicleta e de transportes públicos
4 – medidas de acalmia de tráfego – ciclovias não fazes parte destas medidas
A simples presença de uma bicicleta na rua serve para acalmar o tráfego!
Já agora veja:
http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2006/11/04/ntraffic04.xml
e este também:
Road safety and perceived risk of cycle facilities in Copenhagen
Janeiro 23, 2008 às 11:30 pm
Caro Marcos,
Parabéns pelo post. Descreve de forma breve e bastante clara qual é o problema da segregação dos ciclistas em meio urbano.
Quem queira também ler em português mais sobre o assunto, pode consultar estes dois artigos que escrevi (pdf):
Encorajar o uso da bicicleta
Os perigos da segregação de tráfego no planeamento para bicicletas
Caro Luis Diniz,
O Assunto é contra intuitivo e merece que se pense bem nele. Gostaria que tb tenha o cuidado de ler os meus artigos e depois voltasse a comentar assunto – de preferência aqui ou, se preferir, pessoalmente para o meu email.
Mário
Janeiro 25, 2008 às 12:23 am
Caro Marcos,
Parabéns pelo post. Descreve de forma breve e bastante clara qual é o problema da segregação dos ciclistas em meio urbano.
Quem queira também ler em português mais sobre o assunto, pode consultar estes dois artigos que escrevi (pdf):
Encorajar o uso da bicicleta
Os perigos da segregação de tráfego no planeamento para bicicletas
Caro Luis Diniz,
O Assunto é contra intuitivo e merece que se pense bem nele. Gostaria que tb tenha o cuidado de ler os meus artigos e depois voltasse a comentar assunto – de preferência aqui ou, se preferir, pessoalmente para o meu email.
Mário
Fevereiro 7, 2008 às 1:21 pm
Este assunto é claro, tomará proporçoes gigantes quanto a sua importancia e implantaçao. Nao podemos esquecer que em uma cidade onde os problemas crescem em PG, como Sao Paulo, a segregaçao esta muito mais na incapacidade dos meios publicos de atender as nescessidades de transporte e locomoçao da populaçao e do verdadeiro risco de morte, daquele que utiliza a bicicleta como (unico) meio de transporte. Nao raro, e pouco noticiado, ciclistas sao abalroados nas ruas por onibus ou caminhoes que de maneira assasina expulsam, atropelam e matam sem ao menos socorrer as vitimas .
Agosto 8, 2008 às 3:15 pm
Espero que tenha jeito!
Concordo com tudo que disse, veja o post de hoje no blog TA
http://blog.ta.org.br/2008/08/07/devagar-sempre-2/
Abraçào e boas pedaladas
Pelas ruas
))