Arquivo para Dezembro, 2007

Bicicletas Infantis são realmente feitas para crianças?

Postado em Mountain Bike com as tags em Dezembro 17, 2007 por sergiomoraes

Entre as centenas de milhares de ciclistas aficcionados, muitos são pais e anseiam ver seus filhos curtindo o “andar de bicicleta” o quanto antes.

Eu tive a felicidade de conseguir uma “roll-on” bike (ou walking bike) alemã (marca Zeg) para o meu filho de 2 anos. Uma bicicleta aro 12”, sem pedais, sem rodinhas auxiliares, muito leve (alumínio) onde a criança aprende a se equilibrar ao dar impulso com os pés (o mesmo princípio usado na invenção da bicicleta) e a levantar a bicicleta quando necessário. O resultado foi fantástico! Em pouco tempo meu filho dominava a bike e percorria grandes trechos com os pés levantados e chegava a ter uma velocidade que as vezes assustava.

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Théo, 2, curtindo uma trilha na sua Zeg Bike.

As “roll-on” bikes estão chegando timidamente no Brasil, mas são comuns no norte da Europa e raras nos Estados Unidos.

No Brasil as bicicletas infantis são focadas mais na atratividade gráfica (Spider Man, etc.) do que na segurança e performance da bike.

Infelizmente, a maior parte das bicicletas infantis (aro 12” e aro 16”) que encontramos no mercado brasileiro são vistas como meros brinquedos, são pesadissimas, possuem componentes de plástico e de baixa qualidade e com ergonomia equivocada que, no meu ver, desistimulam as crianças a pedalar. Ainda que o mercado americano também foque as kids’ bikes no grafismo, a qualidade dos componentes é indiscutivelmente superior.

Agora, estou enfrentando um novo problema. Meu filho completa 3 anos e a Zeg roll-on está ficando pequena para ele. O ideal, como acontece no norte da Europa, é a criança começar usar uma bicicleta aro 14” com pedais e freios de contra-pedal. Porém, as bicicletas aro 14” simplesmente não existem por aqui, nem no mercado brasileiro, nem no mercado americano. Apenas o mercado europeu usa esse tamanho intermediário.

Então, ficamos com uma lacuna enorme, uma vez que uma criança de 3 anos dificilmente consegue pedalar e se equilibrar numa bicicleta aro 16”.

Se quiserem dar uma olhada nas bikes infantis de qualidade produzidas na Inglaterra, dêem uma olhada no site da Isla Bikes e no da Ridgeback Bikes.

http://www.islabikes.co.uk/index.html

http://www.ridgeback.co.uk/index.php?bikeID=8&seriesID=44&show_bike=TRUE

Ainda busco uma solução para meu filho não ficar um ano sem pedalar. Alguma sugestão?

Não use a ciclovia!

Postado em Balneário Camboriú, Mobilidade Urbana com as tags em Dezembro 9, 2007 por sergiomoraes

Fiquei contente em ter o blog acessado por um ciclo-ativista espanhol que mantém uma dura campanha contra as ciclovias, promovendo a idéia de que o ciclista não deve ser segregado e deve ter o mesmo direito usar as ruas que os automóveis.

ver o blog:        http://bicilibre.livejournal.com

Compartilho totalmente com essa idéia, ainda que não seja tão radical. Acredito que ciclovias segregadas do tráfego devem ser exceção e não a regra, como é colocada  na maior parte das políticas de mobilidade sustentável no Brasil. Há dez anos atrás já escrevi sobre isso (ver texto “Ciclovias Pra Quê?”) e, no ano passado (2006), orientando um trabalho de pesquisa sobre ciclovias em Balneário Camboriú enfatizei a importância das vias compartilhadas para a melhoria da mobilidade urbana.

Uma ciclovia segregada pode ajudar no deslocamento do ciclista em situações específicas, em áreas de pouca atividade comercial, grandes parques ou ao longo de vias expressas, por exemplo.

 Porém, no meio urbano mais denso cria uma falsa sensação de segurança (principalmente aquelas colocadas no canteiro central das avenidas), pois nas suas interseções com as ruas e calçadas encontram armadilhas muitas vezes fatais. No Brasil, onde a responsabilidade dos motoristas é pouca e a educação para o compartilhamento de vias não existe e onde os ciclistas são considerados cidadãos de segunda classe, o perigo é ainda maior.

Especialmente em Balneário Camboriú, as ciclovias são criminosas. Mal projetadas e sem sinalização adequada, promovem incontáveis acidentes (especialmente a ciclovia da marginal da BR 101 que cruza com os acessos da rodovia!).

Até a metade de 2007 insisti com os orgãos responsaveis pelo trânsito da cidade para iniciar a implementação de um sistema cicloviário que inserisse a idéia de compartilhamento de vias, em vão.

Aguardamos ainda uma união e mobilização dos ciclistas em prol do uso universal das ruas, e uma campanha nacional de educação no trânsito para a conscientização dos motoristas brasileiros (será que tem jeito???).

Marcos Acayaba e arquitetura sustentável

Postado em Arquitetura, Meio ambiente com as tags em Dezembro 5, 2007 por sergiomoraes

Mais uma lacuna preenchida na bibliografia arquitetônica brasileira. Acayaba, aluno de Villa Nova Artigas, aparece com um livro onde apresenta suas ideologias construtivas “ecológicas”. Bem a calhar no momento que inúmeros estudantes de arquitetura escolhem inserir princípios de sustentabilidade em seus projetos de trabalho de fim de curso.

Veja notícia da Folha de São Paulo com a referência bibliográfica

arquitetura-sustentavel.doc

Motocicletas e desrespeito à natureza.

Postado em Meio ambiente, Mountain Bike com as tags , , em Dezembro 3, 2007 por sergiomoraes

Mountain bikers e todos aqueles que gostam de estar nas trilhas buscando um contato mais intenso com a natureza, já devem ter tido o desprazer de encontrar grupos de motociclistas nas trilhas.

O barulho e a fumaça espantam a fauna, a velocidade e a força do motor transmitida no terreno através dos pneus (especialmente em terrenos molhados) causam erosão, deslizamentos e agridem a mata, a prepotência dos motoqueiros desrespeita os outros usuários das trilhas que estão a pé ou em bicicleta. Os praticantes de motociclismo em trilhas dificilmente têm consciência da agressão que causam ao meio ambiente e às pessoas.

Neste domingo, 2 de dezembro, voltei a Bombinhas de mountain bike junto com meu amigo Leite (super biker reporter!) para fazer parte da trilha das 7 praias, que corre naquele litoral até a cidade de Tijucas. Praias virgens de valor paisagístico e de biodiversidade inestimável.

F. Leite, novembro 2007 Foto: F. Leite, novembro, 2007

A trilha é percorrida por pescadores locais, turistas, mountain bikers e infelizmente, motoqueiros. Um grupo de aproximadamente 15 ou 20 motos em velocidade muito acima do que o bom senso recomenda em trilhas passou por nós indiferente aos nossos sinais de diminuir a velocidade (apenas tinhamos passados por uma família com crianças). Torcemos para que a família tenha conseguido se abrigar a tempo, como nós fizemos! O sentimento de ter sido agredido foi inevitável e o desrespeito a tudo e a todos foi patente!

Ao sair da trilha encontramos pescadores indignados com a arruaça feita pelos motoqueiros na areia da praia, onde crianças brincavam.

Diferente dos países como Estados Unidos, Austrália e outros desenvolvidos onde o motociclismo em trilhas (bem como o uso esportivo de jeeps) é praticado em áreas fechadas ou em áreas de deserto onde os praticantes podem desenvolver suas habilidades de pilotagem isolados e sem agredir pessoas ou o meio ambiente, aqui na nossa selva tupiniquim, terra de ninguém por excelência (até o momento da grilagem!) e com canais quase inexistentes para prática da cidadania, os motoqueiros se acham no direito de invadir áreas preservação de uso público poluindo a natureza e criando um ambiente perigoso para qualquer um que não esteja sobre uma motocicleta.

Na mesma trilha das 7 praias temos notícias de motoqueiros lavando a moto na bica de água natural que corre no canto da praia Triste, deixando um rastro de graxa, óleo e querozene na areia. Também jipeiros com pás alterando completamente o terreno natural apenas para passar com seu veículo, causando erosões enormes são vistos frequentemente, principalmente no verão.

Até quando podemos suportar essas agressões? Será que a sociedade não consegue se organizar para regulamentar o uso das trilhas? Sabemos que o grupo que trabalha a “Agenda 21” junto a prefeitura do município de Bombinhas tem feito um bom trabalho e tem um boa influência política ali e devem ser sensibilizados do problema. Será que não é o caso de implantarem logo uma Área de Proteção Ambiental (APA) naquele litoral ainda preservado? Será que ONGs ambientalistas e Associações de Ciclistas não podem se unir nessa causa?

Pela preservação da praia de Taquarinhas

Postado em Balneário Camboriú, Meio ambiente com as tags , em Dezembro 1, 2007 por sergiomoraes

A praia de Taquarinhas localiza-se ao sul do município de Balneário Camboriú e é provavelmente a única praia no litoral catarinense que tem seu ecossistema completamente preservado e nenhuma ocupação.

A luta pela preservação de Taquarinhas foi encampada pela ONG Ideia (Instituto de Desenvolvimento e Integração Ambiental) que luta pela preservação integral da praia, pelo seu tombamento e pela sua transformação num Parque Público Municipal.

Praia de Taquarinhas Praia de Taquarinhas

A Ideia já reuniu quase 10000 assinaturas apoiando sua solicitação, o que mostra que a comunidade está sintonizada com as questões ambientais. A assinatura pela preservação de Taquarinhas pode ser feita pela internet no site : http://www.ideiasc.org.br/

Assine e divulgue. A natureza agradece!

Audiência Pública do Plano Diretor de Balneário Camboriú

Postado em Balneário Camboriú, Planejamento Urbano com as tags em Dezembro 1, 2007 por sergiomoraes

Ontem, dia 30 de novembro, a Camara de Vereadores de Balneário Camboriú fez uma audiência pública para ouvir sugestões da comunidade antes da sua apreciação do novo zoneamento proposto pela Secretaria de Planejamento do Município.

As inúmeras reividicações de alteração dos índices construtivos solicitadas por particulares, entidades de classe, organizações não governamentais e diversas associações de moradores, evidenciam que o plano diretor foi elaborado sem participação da comunidade.

Eu, como representante do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Itajaí, procurei sensibilizar os vereadores para o enorme abismo que existe entre os objetivos e diretrizes expressos na primeira parte de elaboração do Plano Diretor (que se constituiu na lei municipal n. 2686/2006) e o zoneamento apresentado. Apontamos também a falta absoluta de estratégias e a desvinculação do zoneamento com as diretrizes anteriormente expressas, o que torna o plano inconstitucional por não atender essa vinculação conforme orientado pelo Estatuto da Cidade. Além disso, o zoneamento não atende ao conteúdo mínimo pedido pelo Estatuto da Cidade, pois não definiu áreas para o emprego do instrumento de “parcelamento ou edificação compulsório”.

Desse modo, solicitamos cautela aos vereadores para a aprovação desse plano e sugerimos uma revisão de todo o conteúdo do Plano Diretor apresentado.

Destaque para a participação da ONG Ideia (Instituto de Desenvolvimento e Integração Ambiental) que luta pela preservação integral da Praia de Taquarinhas , solicitando que seja providenciado sua inclusão no Plano Diretor como Área de Preservação Permanente e sua transformação num Parque Público Municipal.

A Ideia já reuniu quase 10000 assinaturas apoiando sua solicitação, o que mostra que a comunidade está sintonizada com as questões ambientais. A praia de Taquarinhas é provavelmente a única praia no litoral catarinense que tem seu ecossistema completamente preservado. A assinatura pela preservação de Taquarinhas pode ser feita pela internet no site : http://www.ideiasc.org.br/

A pedido do vereador Fabio Flores, o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Univali deverá elaborar uma análise do Plano Diretor para colaborar na apreciação dos vereadores.